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01/10/2014

Intercâmbio incentiva boas práticas entre agricultoras e agricultores do semiárido Alagoano

Visita foi no Sítio Cabaceiros, em Santana do Ipanema

Deixar o trabalho do campo de lado e viver uma experiência rica em aprendizados. Foi o que fizeram agricultoras e agricultores, de Major Izidoro e Minador do Negrão assistidos pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), essa semana. A equipe do Instituto Terraviva (Itviva) coordenou o intercâmbio municipal em Santana do Ipanema para mostrar e incentivar as boas práticas de convivência com o semiárido.

 

 O Sítio Cabaceiros, no povoado Lage dos Barbosas, há muito tempo virou referência quando o assunto é produção de sementes. A iniciativa exitosa na propriedade do senhor Sebastião Rodrigues Damasceno e Ana Maria Alcântara é reconhecida nacional e internacionalmente. “Eu, que só tenho o primário, nunca imaginei sair daqui. Hoje posso dizer que já viajei para muitos lugares do Brasil e até Argentina, quando fui convidado para palestrar sobre as sementes”, conta o agricultor.

Em um cômodo da casa, a família guarda cerca de 50 variedades de sementes nativas entre feijão, fava e milho. Apesar da estrutura simples, o material é bem conservado. “Utilizamos garrafas pet para armazenar, mas é importante não coloca-las diretamente no chão, por isso ficam em cima da madeira”, explica Sebastião. Desde o plantio à colheita, é necessária muita dedicação à separação do material. “Antigamente, plantava e colhia, mas não selecionava. A partir do momento que passamos a fazer a seleção, agregamos valor e vendemos para vários estados do país. Tem que ter padrão e para isso é preciso colher no tempo certo. Tudo isso dá um grande trabalho, e um grande prazer também”, explica aos visitantes. A sabedoria popular também é muito valorizada e praticada: plantas de raiz são plantadas na lua minguante, já as outras devem ser na lua nova e crescente. 

O agricultor faz um alerta quanto às sementes desconhecidas. “Cuidado com aquilo que você não conhece, principalmente que vem de fora. Elas são como pessoas estranhas: você não pode simplesmente colocar dentro da sua casa e achar que vai dar tudo certo. Podem ser nocivas e causar desequilíbrio e outros males, por isso é fundamental conhecer a procedência, principalmente devido à transgenia”.

O vocabulário mais rico e técnico surpreendeu os visitantes e as visitantes, mas Sebastião tratou logo de esclarecer dúvidas e dar uma dica essencial para quem quer ser uma referência como ele e sua esposa: “é muito importante valorizar as oportunidades, participar dos encontros e aprender a ouvir. E mesmo eu não tendo muito estudo, valorizo muito o saber, pois isso ninguém pode lhe tirar depois que você o adquire. Então prestem atenção e não fiquem com dúvidas”, aconselhou, fazendo questão de frisar que todos e todas ali têm o mesmo potencial de conquista. Toda essa trajetória que orgulha a família teve início graças a uma barragem subterrânea que foi implementada há oito anos também pela ASA. Outros incentivos vieram dos encontros e capacitações que marido e mulher participaram.

O passeio na propriedade revela que a dedicação da família não se limita à produção de sementes. O cuidado com a preservação da natureza é a principal lei. Lá, não se queima lixo nem se mata animais e pássaros. A diversidade – uma das principais características da sustentabilidade – impressiona: em uma tarefa de terra (3.052m²) é possível encontrar muitas fruteiras (pé de acerola, melancia, caju, manga, goiaba, banana, abacaxi, graviola, pinha, cacau, tomate, coqueiro, entre outros). Tudo adubado de forma orgânica, com esterco dos bovinos e sobra de alimentos em decomposição. A preservação da mata ciliar recebe atenção especial e o cenário que se contempla nada tem a ver com a imagem de terra seca. “Só temos isso aqui porque meu pai conservou. Estamos fazendo o mesmo para deixar isso para nossos netos e netas”, acrescenta Sebastião. 

Entusiasmado com o que viu, o agricultor Antonio de França pretende replicar os ensinamentos em sua casa e com sua comunidade. “Foi ótimo, a paisagem é linda, o lugar é seco mas é fresco por causa da preservação da mata, e isso nos ensinou muito. As práticas são interessantes, pois ele não queima o mato, transforma em adubo... Enfim, aprendi muita coisa. Acho que todo mundo aqui aprendeu e vai fazer o mesmo em suas terras”, disse. Assim como ele, as participantes e os participantes do intercâmbio estão com as cisternas de segunda água implementadas e, portanto, buscam fortalecerem-se e ampliar sua produção rural. "A experiência foi muito válida principalmente para o pessoal de Minador, pois lá faremos uma casa de sementes", afirma Lucas Gustavo, coordenador do Itviva.

Os agricultores e agricultoras ainda ganharam e puderam adquirir algumas sementes. Mas, em consenso, a principal delas e mais produtiva foi a do conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

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